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Chefe da Volkswagen alerta para crise mais profunda
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Chefe da Volkswagen alerta para crise mais profunda

A Volkswagen enfrenta uma sequência de problemas que já não se resumem a lançamentos de modelos ou volume de vendas — o impacto agora recai diretamente sobre funcionários...

Por Redação Mecânica Online®
6 min

A Volkswagen enfrenta uma sequência de problemas que já não se resumem a lançamentos de modelos ou volume de vendas — o impacto agora recai diretamente sobre funcionários e resultados financeiros. Depois de já ter anunciado cortes significativos, a montadora alemã pode estar prestes a aprofundar ainda mais essa reestruturação, na maior redução de custos de sua história.

Entender o tamanho do problema exige olhar além dos números isolados: a Volkswagen é uma das maiores empregadoras da indústria automotiva mundial, e decisões tomadas em sua matriz alemã reverberam em fábricas, fornecedores e sindicatos em vários países — inclusive no Brasil, onde a marca também vem promovendo sua própria reestruturação local.

O CEO do grupo, Oliver Blume, enviou um memorando aos funcionários da empresa. Segundo apurou a agência Reuters, que teve acesso ao documento, Blume classificou a situação atual da VW como mais do que crítica, afirmando que as margens de 4% da companhia não são suficientes para gerar, a longo prazo, os recursos necessários para novas tecnologias, novos produtos e a manutenção das fábricas.

De acordo com o memorando, os custos operacionais da Volkswagen para produzir seus veículos seriam mais de 30% superiores aos das marcas concorrentes — uma diferença expressiva, que segundo Blume precisa ser reduzida para a empresa se manter competitiva.

Na assembleia anual da Volkswagen, em junho, Blume já havia afirmado que a empresa planejava cortar 50 mil empregos até 2030 e lançar uma série de novos veículos. Mesmo com lucro operacional de US$ 10,9 bilhões em 2025, esse resultado não teria sido suficiente.

Agora, outros 50 mil cortes de emprego em todo o mundo podem se somar aos já anunciados — o que levaria o total a 100 mil postos. Segundo o memorando, esse número não seria uma meta fixa, mas um indicador da escala de ação necessária diante da concorrência.

Em julho, a VW já havia anunciado planos para reduzir gradualmente pela metade a linha de veículos do grupo, concentrando esforços nos segmentos mais lucrativos. A capacidade de produção também deve cair, de 10 milhões para 9 milhões de veículos por ano.

Cortes de capacidade produtiva costumam significar demissões e fechamento de fábricas. Boa parte dos cortes já anunciados resulta de acordo com o conselho de trabalhadores da VW, prevendo aposentadorias antecipadas, indenizações e o compromisso dos próprios funcionários em usar parte de seus reajustes salariais para apoiar as mudanças da empresa.

No memorando, Blume também indicou que quatro fábricas alemãs não seriam competitivas até a década de 2030 — embora nenhuma decisão de fechamento tenha sido tomada até o momento. Muitas dessas unidades já melhoraram suas estruturas de custo, mas isso não teria sido suficiente segundo a avaliação do executivo.

A Volkswagen enfrenta dificuldades desde o escândalo de emissões Dieselgate, em 2015, quando pagou dezenas de bilhões em multas e reparos de veículos fora do padrão de emissões. Depois disso, a empresa apostou fortemente em veículos elétricos, investindo ainda mais bilhões — um investimento que ainda não se mostrou rentável, com a VW distante de vender 1 milhão de unidades elétricas por ano somando todas as suas marcas.

No ano passado, as marcas do Grupo Volkswagen venderam 9 milhões de veículos e empregaram cerca de 660 mil pessoas. Um corte de 100 mil postos representaria parcela expressiva desse quadro, com impacto em praticamente todas as unidades onde a empresa fabrica veículos.

A companhia já vem vendendo ativos para reforçar o caixa: uma participação de 51% em sua divisão de motores para caminhões, a Everllence, foi vendida em junho, e a empresa de design Italdesign foi negociada no ano anterior.

Informações originalmente apuradas pela Reuters.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O número mais revelador de todo o memorando não é o corte de empregos, é a margem de 4% citada por Blume.

Uma margem operacional tão apertada deixa pouquíssimo espaço para investir em novas plataformas, tecnologia e eletrificação, justamente os itens que decidem se uma montadora segue relevante nos próximos dez anos.

O gap de mais de 30% no custo operacional frente a concorrentes conversa diretamente com o que já vimos em outra apuração recente: o próprio Blume já havia citado, em visita a fábricas na Alemanha, que o custo de mão de obra local é mais que o dobro de outros sites europeus comparáveis.

A informação de que a VW ainda está longe de vender 1 milhão de elétricos por ano, apesar dos bilhões investidos, é a peça que explica a urgência dos cortes: a empresa apostou pesado em uma transição que, até aqui, não pagou as contas.

Vender participação na Everllence e na Italdesign não é apenas cortar custo, é desinvestir de negócios que não são o núcleo automotivo — sinal de que a pressão financeira é real, não apenas retórica de negociação com sindicatos.

Siga @tarcisiomecanicaonline para acompanhar os próximos passos da reestruturação da Volkswagen.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

Memorando classifica situação como “mais que crítica”: o CEO Oliver Blume alertou funcionários sobre as margens insuficientes da empresa.

Custo operacional 30% maior que concorrentes: dado citado pelo executivo para justificar a necessidade de cortes.

Corte de até 100 mil empregos: soma dos 50 mil já anunciados em junho com outros 50 mil que podem ser adicionados.

Redução da linha de produtos pela metade: anunciada em julho, junto com a queda de capacidade de 10 milhões para 9 milhões de veículos por ano.

Quatro fábricas alemãs sem competitividade até 2030: citadas no memorando, sem decisão de fechamento tomada até o momento.

Venda de ativos: a participação de 51% na Everllence e a empresa de design Italdesign já foram vendidas.

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Margem operacional: percentual do faturamento que sobra como lucro após cobrir custos de produção e operação; margens baixas limitam o quanto uma empresa pode investir em novos produtos.

Capacidade de produção: quantidade máxima de veículos que uma montadora consegue fabricar em determinado período, considerando suas fábricas e linhas de montagem.

Conselho de trabalhadores (Betriebsrat): órgão de representação dos funcionários nas empresas alemãs, com poder de negociar acordos sobre demissões, aposentadorias e condições de trabalho.

Desinvestimento (venda de ativos): estratégia em que uma empresa vende parte de seus negócios ou participações societárias para obter recursos financeiros ou focar no núcleo de sua operação.

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