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Veículos elétricos já tiram 1,7 milhão de barris de petróleo por dia do mundo
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Veículos elétricos já tiram 1,7 milhão de barris de petróleo por dia do mundo

Um em cada quatro carros novos vendidos no mundo em 2025 já era elétrico. Esse único dado, sozinho, já mudaria a leitura de qualquer analista sobre o ritmo...

Por Tarcisio Dias
7 min

Um em cada quatro carros novos vendidos no mundo em 2025 já era elétrico. Esse único dado, sozinho, já mudaria a leitura de qualquer analista sobre o ritmo da transição energética no transporte. Mas o relatório mais recente da Agência Internacional de Energia vai além: mostra, em números de barris de petróleo por dia, o quanto essa mudança já está literalmente tirando combustível fóssil do mercado — e até onde essa curva pode chegar na próxima década.

O relatório “Global EV Outlook 2026”, da Agência Internacional de Energia (IEA), mostra que as vendas globais de carros elétricos cresceram 20% em 2025, ultrapassando 20 milhões de unidades — ou seja, um em cada quatro carros novos vendidos no mundo já era elétrico.

Segundo o relatório, a frota global de elétricos foi responsável por deixar de consumir cerca de 1,7 milhão de barris de petróleo por dia (mb/d) em 2025 — volume equivalente à demanda total de petróleo da Indonésia no mesmo ano. [“mb/d” é a sigla para milhões de barris por dia (do inglês million barrels per day)].

Só na China, os elétricos reduziram a demanda por petróleo em cerca de 1 mb/d em 2025, redução de aproximadamente 15% frente ao que a demanda do transporte rodoviário seria caso apenas carros a combustão estivessem em circulação.

Como esse número deve evoluir até 2035 – Segundo a IEA, já em 2030 o volume de petróleo deslocado pelos elétricos deve triplicar, chegando a cerca de 5 mb/d no mundo todo, tanto no Cenário de Políticas Atuais (CPS) quanto no Cenário de Políticas Anunciadas (STEPS) — reduzindo a demanda global de petróleo do transporte rodoviário para cerca de 44 mb/d.

Até 2035, os elétricos devem deslocar cerca de 9 mb/d de diesel e gasolina no cenário mais conservador (CPS), chegando a 10 mb/d no cenário de políticas já anunciadas (STEPS) — cerca de 1 mb/d a mais. Em ambos os cenários, a China sozinha deve responder por mais de 4 mb/d desse total, aproximadamente metade de todo o deslocamento global.

Em um cenário mais ambicioso, alinhado à meta de emissão zero (NZE), a IEA projeta deslocamento de mais de 15 mb/d de petróleo já em 2035, puxado por adoção bem mais rápida de elétricos globalmente.

De onde vem esse deslocamento – Segundo o relatório, carros elétricos de passeio (LDVs) foram responsáveis por cerca de 80% de todo o deslocamento de petróleo em 2025, enquanto caminhões elétricos na China já representavam mais de 10% do total.

Essa proporção deve se manter até 2035, com carros respondendo por cerca de 80% do deslocamento total nos cenários CPS e STEPS. Ainda assim, caminhões e ônibus elétricos juntos devem deslocar cerca de 1,3 mb/d no cenário CPS e 1,5 mb/d no STEPS em 2035 — chegando a quase 3,5 mb/d no cenário mais ambicioso (NZE).

O contexto mais amplo das vendas em 2025 – Além do impacto sobre o petróleo, o relatório detalha como as vendas se comportaram por região em 2025. Na Europa, as vendas de elétricos cresceram mais de 30%, chegando a 28% de participação no mercado total, impulsionadas por regras de CO2 mais rígidas da União Europeia.

Na China, o crescimento desacelerou ligeiramente — em parte por pausa temporária em um programa de troca de veículos — mas os elétricos ainda representaram quase 55% de todas as vendas de carros no país.

Nos Estados Unidos, a participação dos elétricos ficou relativamente estável, pouco abaixo de 10% das vendas, embora o fim de créditos fiscais tenha coincidido com queda nas vendas no final do ano.

Já em mercados emergentes, o crescimento foi ainda mais acentuado: no Sudeste Asiático, as vendas anuais mais que dobraram, chegando a participação de quase 20%, liderado por Vietnã, Indonésia e Tailândia. Na América Latina, as vendas cresceram 75%, lideradas por Brasil e México.

A projeção para 2026 e além – Para 2026, a IEA projeta vendas globais de elétricos em torno de 23 milhões de unidades, representando 28% do total de carros vendidos no mundo.

Sem qualquer novo anúncio de política pública, a frota global de elétricos deve crescer mais de seis vezes até 2035 frente aos níveis de 2025, alcançando até 510 milhões de veículos — sem contar motos e triciclos elétricos —, com participação de elétricos nas vendas globais chegando a cerca de 50% em 2035, segundo os cenários exploratórios da IEA.

O dado mais concreto desse relatório é a comparação direta: os 1,7 mb/d já deslocados em 2025 equivalem a todo o consumo diário de petróleo da Indonésia — um país inteiro, não uma fração pequena do mercado global de energia.

A diferença entre os cenários CPS (9 mb/d) e STEPS (10 mb/d) para 2035 mostra como pequenas variações de política pública, já anunciadas ou apenas em vigor hoje, podem representar mais de 1 milhão de barris de diferença na demanda diária global — reforçando que o ritmo dessa transição não depende só de tecnologia, mas diretamente de decisão regulatória.

A concentração de quase 50% do deslocamento global de petróleo apenas na China até 2035 confirma que, mesmo com crescimento acelerado em mercados emergentes como Brasil e Sudeste Asiático, o centro de gravidade dessa transição energética segue sendo chinês por pelo menos mais uma década.

O verdadeiro fator de incerteza para os próximos anos não é a demanda por elétricos em si, mas quais políticas públicas cada país vai efetivamente manter ou reforçar diante da atual crise energética.

Consulte o relatório completo:
https://www.iea.org/reports/global-ev-outlook-2026

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mb/d (milhões de barris por dia): unidade usada para medir consumo ou deslocamento de petróleo em escala global.

Cenário de Políticas Atuais (CPS): projeção da IEA baseada apenas nas políticas públicas já em vigor hoje, sem novos anúncios.

Cenário de Políticas Anunciadas (STEPS): projeção que considera também políticas públicas já anunciadas, mas ainda não totalmente implementadas.

Cenário de Emissão Zero (NZE): projeção mais ambiciosa da IEA, alinhada à meta de zerar emissões líquidas de carbono globalmente.

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