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Leapmotor usa estrutura da Stellantis para criar nova rota de entrada dos carros chineses no Brasil
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Leapmotor usa estrutura da Stellantis para criar nova rota de entrada dos carros chineses no Brasil

A Leapmotor chega ao Brasil com o suporte industrial e logístico da Stellantis, utilizando uma operação diferenciada de importação que envolve flat racks, inspeção local e distribuição pela...

Por Redação Mecânica Online®
6 min

A Leapmotor chega ao Brasil com o suporte industrial e logístico da Stellantis, utilizando uma operação diferenciada de importação que envolve flat racks, inspeção local e distribuição pela rede já estabelecida do grupo.

A chegada da Leapmotor ao Brasil representa um movimento diferente dentro da nova onda de marcas chinesas que estão avançando no mercado nacional. Em vez de atuar de forma independente, a fabricante chinesa conta com a estrutura global da Stellantis, criando uma combinação entre tecnologia asiática e experiência operacional de uma das maiores empresas automotivas do mundo.

O principal diferencial da operação está na cadeia logística. A Leapmotor passou a utilizar no país o sistema flat rack, uma solução que permite transportar veículos sobre estruturas fixas semelhantes a plataformas abertas, movimentadas pelos mesmos equipamentos utilizados na operação de contêineres.

Na prática, o sistema reduz a necessidade de manuseio direto dos veículos durante o embarque e desembarque. Isso pode representar ganhos de segurança, menor risco de avarias e maior flexibilidade para ampliar o volume importado conforme a demanda cresce.

A estreia dessa operação ocorreu no terminal Sepetiba Tecon, em Itaguaí (RJ), onde foram desembarcados mais de 700 veículos utilizando aproximadamente 270 flat racks. O processo marcou a primeira aplicação desse conceito pela Leapmotor no terminal.

Desde então, a operação ganhou escala. Mais de 1.800 veículos da marca já passaram pelo terminal, mostrando como a logística se tornou parte importante da estratégia de entrada da fabricante chinesa no Brasil.

Depois do desembarque, os veículos seguem para as unidades responsáveis pela inspeção pré-entrega (PDI) em Porto Real (RJ) e Juiz de Fora (MG). Essa etapa verifica sistemas, acabamento, funcionamento eletrônico e preparação final antes da entrega ao cliente.

A distribuição posterior utiliza a estrutura logística já existente da Stellantis, reduzindo a necessidade de criar uma rede completamente nova. Esse é um dos principais diferenciais competitivos da parceria entre as duas empresas.

No mercado brasileiro, muitas marcas chinesas enfrentam um dos maiores desafios após a importação: construir rapidamente uma operação de pós-venda, peças e atendimento. A associação com uma fabricante consolidada reduz parte desse obstáculo.

A parceria entre Leapmotor e Stellantis nasceu de uma estratégia global. A fabricante europeia busca ampliar sua presença em veículos eletrificados, enquanto a empresa chinesa ganha acesso a mercados internacionais e experiência operacional fora da China.

Esse movimento segue uma tendência da indústria automotiva atual. Empresas chinesas possuem forte domínio em baterias, eletrônica embarcada e plataformas elétricas, enquanto grupos tradicionais têm décadas de experiência em produção, distribuição e atendimento.

A Leapmotor aposta justamente nessa combinação. Seus veículos chegam ao Brasil em um momento de forte expansão dos modelos eletrificados, principalmente SUVs, segmento que concentra grande parte das vendas nacionais.

O portfólio atual inclui o C10 Elétrico, o C10 Ultra-Híbrido com tecnologia REEV e o B10 Elétrico. A diversidade de soluções mostra uma tentativa de atender diferentes perfis de consumidor.

O C10 Ultra-Híbrido se destaca por utilizar uma arquitetura diferente dos híbridos convencionais. O sistema REEV (Range Extended Electric Vehicle) utiliza o motor a combustão principalmente como gerador de energia, enquanto a tração é feita pelo motor elétrico.

Essa solução busca entregar uma experiência próxima de um carro elétrico, mas reduz a preocupação com autonomia em viagens longas. O motor térmico funciona como suporte energético quando necessário.

No entanto, tecnologias como essa ainda dependem de uma boa calibração eletrônica e de uma rede preparada para manutenção de sistemas híbridos avançados. O consumidor precisa considerar não apenas a tecnologia, mas também suporte e disponibilidade futura de componentes.

A logística também influencia diretamente o custo final do veículo. Uma operação mais eficiente pode ajudar a reduzir perdas, acelerar entregas e melhorar a previsibilidade do abastecimento das concessionárias.

O uso combinado de flat rack e transporte tradicional Ro-Ro (navios específicos onde os veículos entram e saem rodando) amplia a flexibilidade da operação. Cada modalidade pode ser escolhida conforme volume, disponibilidade e planejamento.

Essa estratégia é importante porque o mercado brasileiro de elétricos ainda está em formação. As marcas precisam equilibrar velocidade de crescimento com controle operacional para evitar problemas de abastecimento.

A Leapmotor entra em um cenário competitivo com outras fabricantes chinesas, como BYD, GWM, GAC, Geely e Chery, que também buscam espaço no país com diferentes estratégias industriais e comerciais.

A vantagem da marca está justamente na combinação entre origem tecnológica chinesa e suporte de uma estrutura global já estabelecida. O desafio será transformar essa vantagem operacional em confiança do consumidor brasileiro.

A Leapmotor mostra que a disputa entre marcas chinesas e tradicionais não será apenas tecnológica. A próxima fase do mercado será definida pela capacidade de entregar uma experiência completa: produto competitivo, logística eficiente, pós-venda confiável e disponibilidade de peças — Tarcisio Dias, Editor do Mecânica Online®.

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O uso do flat rack é um exemplo de como a indústria automotiva está repensando processos além do veículo. Em uma fase de rápida expansão dos elétricos, logística, infraestrutura e atendimento serão tão importantes quanto bateria e autonomia.

A consolidação das marcas chinesas dependerá da capacidade de transformar inovação em operação eficiente. O consumidor brasileiro será beneficiado pela disputa, mas também precisará avaliar maturidade da marca e suporte ao longo dos anos.

• Marca: Leapmotor
• Parceira estratégica: Stellantis
• Operação logística: Sepetiba Tecon (RJ)
• Tecnologia logística: flat rack
• Veículos recebidos: mais de 1.800 unidades
• Modelos: C10 Elétrico, C10 Ultra-Híbrido e B10 Elétrico
• Tecnologia híbrida: REEV
• Inspeção pré-entrega: PDI
• Distribuição: rede logística da Stellantis
• Modal alternativo: transporte Ro-Ro

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Flat rack – Estrutura utilizada para transportar veículos como uma plataforma fixa, permitindo movimentação por equipamentos de contêineres e reduzindo manuseios.

REEV – Sistema híbrido no qual o motor elétrico movimenta o veículo e o motor a combustão atua principalmente como gerador de energia.

PDI (inspeção pré-entrega) – Processo final de verificação técnica realizado antes da entrega do veículo ao consumidor.

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